O Papalagui / Tuiavii de Tiavéa

O Papalagui (expressão samoana para “o Branco” ou “o Senhor”) é um texto etnográfico fictício de 1920, que se tornou um clássico da literatura universal e um manifesto intemporal de crítica social.

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Descrição

O Papalagui (expressão samoana para “o Branco” ou “o Senhor”) é um texto etnográfico fictício de 1920, que se tornou um clássico da literatura universal e um manifesto intemporal de crítica social. Supostamente uma compilação dos discursos do chefe tribal samoano Tuiavii de Tiavéa, a obra oferece uma perspetiva exógena eingénua sobre a civilização ocidental, desconstruindo os seus alicerces e paradoxos através do olhar de quem lhe é culturalmente alheio. A presente edição é publicada pela editora portuguesa Antígona.
A obra estrutura-se numa série de discursos nos quais Tuiavii, após uma visita à Europa, relata ao seu povo os costumes, valores e idiossincrasias dos “Papalagui”.

Cada capítulo aborda um aspeto específico da vida ocidental, desde a organização social e a religião até à relação com o tempo e o dinheiro.

Crítica Social e Filosófica
  • A Obsessão pelo Tempo: Tuiavii observa a compulsão ocidental em medir e parcelar o tempo (“grande esteira do tempo”), contrastando-a com a vida cíclica e natural da sua cultura, onde o “tempo não existe” para além do nascer ao pôr do sol.
  • O Culto do Dinheiro: O “metal redondo e o papel pesado” são descritos como o centro da existência dos brancos, um deus a que todos servem e que gera ansiedade e desamor, em detrimento dos afetos e da sabedoria.
  • O Materialismo e o Individualismo: A acumulação excessiva de bens materiais e o facto de morarem em “baús de pedra” (casas/cidades) são vistos como manifestações de um individualismo que empobrece as relações humanas e esgota os recursos naturais.
  • A “Profissão”: O conceito de profissão é ridicularizado como a repetição monótona da mesma ação, levando a uma existência mecânica e sem propósito real.

“O Papalagui – ou seja o Branco, o Senhor – é este o nome dados aos discursos do chefe de tribo de Tuiavii de Tiavéa, nos mares do Sul.
Tuiavii nunca teve intenção de publicar esses discursos na Europa, nem sequer de os mandar imprimir; destinavam-se unicamente aos seus compatriotas polinésios. Se eu, apesar disso, transmito aos leitores europeus os discursos desse indígena, sem que ele o saiba e certamente contra sua vontade, é porque estou convencido de que nos vale a pena, a nós, homens brancos e esclarecidos, ter conhecimento do modo como um indivíduo ainda intimamente ligado à natureza nos vê a nós e à nossa cultura. Através dos seus olhos descobrimos a nossa própria imagem, e isso com uma simplicidade que já perdemos.

Os leitores particularmente fanáticos da nossa civilização irão decerto achar a sua maneira ver ingénua, e até mesmo pueril, ou parva; no entanto, mais do que uma frase de Tuiavii deixará pensativo o leitor mais modesto, pois a sabedoria de Tuiavii não emana de um saber erudito, mas é mais uma inocência de fonte divina.”

Erich Scheurmann, Introdução


Antígona, 1983. Com 138 [5] p. : il. ; 21 cm; Broch.
[Capas com ligeiros sinais de manuseamento

Estado: Bem conservado

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