Noites no Alexandra / William Trevor

Publicada em 1987, Nights at the Alexandra é uma das narrativas breves mais admiradas de William Trevor, escritor irlandês nascido em Mitchelstown, no condado de Cork, e considerado um dos maiores contistas de língua inglesa do século XX.

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Descrição

Publicada em 1987, Nights at the Alexandra é uma das narrativas breves mais admiradas de William Trevor, escritor irlandês nascido em Mitchelstown, no condado de Cork, e considerado um dos maiores contistas de língua inglesa do século XX. A voz que conduz o relato é a de Harry, homem de cinquenta e oito anos que, solteiro e recolhido a uma pequena cidade provinciana da Irlanda, regressa em memória ao tempo da sua adolescência, durante os anos em que o país neutro designou a Segunda Guerra Mundial pelo eufemismo de «Emergência». Trevor trabalha aqui aquilo que melhor sabe fazer: iluminar a densidade sentimental de existências aparentemente apagadas, sem recurso a efeitos dramáticos e com uma economia de meios que aproxima a sua prosa da de Tchékhov.

Aos quinze anos, Harry, filho de uma modesta família protestante e por isso já estranho à comunidade maioritariamente católica que o rodeia, conhece o casal Messinger, recém-instalado na grande casa de pedra dos arredores: ela, jovem inglesa de rara elegância; ele, alemão bastante mais velho. Vistos com desconfiança pelos habitantes locais, os Messinger encontram no rapaz uma cumplicidade imediata. Harry passa a fazer-lhes recados e deixa-se enfeitiçar pela conversa e pelas recordações de Frau Messinger. Quando se torna claro que ela está a morrer, o marido decide erguer na terra um cinema, baptizado Alexandra em sua honra. Esse edifício, onde Harry começa por trabalhar e que acabará por lhe pertencer, converte-se na obsessão de toda uma vida.

O que Trevor constrói, a partir de um enredo de contornos mínimos, é uma meditação sobre a forma como um encontro fugaz pode determinar irreversivelmente um destino, e sobre o modo como a memória consola e aprisiona em simultâneo. A devoção silenciosa de Harry, nunca correspondida nos termos convencionais do amor, sustenta uma existência inteira vivida em diferido, à sombra da paixão alheia. Leitura indispensável para quem acompanha a ficção irlandesa contemporânea e para os leitores que apreciam a narrativa breve levada ao seu ponto de maior contenção e exactidão.


Dom Quixote, 1993. Com 118 p.; 24 cm; Capa dura
[Rubrica de posse na folha da guarda e no frontispício]

Estado: Bem conservado

Detalhes