A Palavra é de Oiro / Augusto Abelaira

A Palavra é de Oiro de Augusto Abelaira (1.ª ed., Bertrand, 1961) — comédia em dois actos sobre o poder e a falsidade da palavra na pequena burguesia. Sátira de costumes sob o Estado Novo.

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Descrição

Nesta incursão audaciosa pela dramaturgia, publicada originalmente em 1961, Augusto Abelaira, um dos nomes cimeiros da intelectualidade portuguesa da segunda metade do século XX, desdobra a sua acutilância crítica numa comédia em dois actos e um prólogo que desafia as convenções do seu tempo. A obra afasta-se do realismo convencional para habitar um território onde o jogo verbal e a sátira de costumes se fundem numa reflexão profunda sobre a autenticidade e a máscara social. Abelaira, mestre na dissecação das contradições da pequena burguesia citadina, utiliza o palco como um laboratório onde a palavra, longe de ser apenas um veículo de comunicação, se torna uma ferramenta de poder, de sedução e, por vezes, de ocultação da própria verdade. A escrita é pautada por um rigor intelectual e uma elegância estilística que elevam o quotidiano a uma dimensão simbólica, onde o riso serve de bisturi para expor as feridas de uma sociedade amordaçada pelo conformismo e pela censura de uma época sombria. Nesta peça, o autor ensaia uma geometria de afetos e interesses que permanecem assustadoramente atuais, convidando o leitor — e o espectador — a uma jornada pelos abismos da consciência e pelas armadilhas da retórica. Trata-se da edição original, um exemplar histórico que preserva a essência e o impacto visual da primeira vez que este texto desafiou o público português.

Ficha Técnica
Título: A Palavra é de Oiro
Autor: Augusto Abelaira
Editor: Livraria Bertrand
Ano de Edição: 1961
Páginas: 158
Idioma: Português
Estado: Bom — capas com ligeiros sinais de manuseamento; miolo bem conservado; rubrica de posse
Notas: 1.ª edição

Detalhes