A Morte de Carlos Gardel / António Lobo Antunes

Publicado em 1994, A Morte de Carlos Gardel encerra o ciclo romanesco que António Lobo Antunes iniciou com Tratado das Paixões da Alma e prosseguiu com A Ordem Natural das Coisas.

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Descrição

Publicado em 1994, A Morte de Carlos Gardel encerra o ciclo romanesco que António Lobo Antunes iniciou com Tratado das Paixões da Alma e prosseguiu com A Ordem Natural das Coisas. O título evoca o cantor argentino de tangos que morreu num desastre de aviação em 1935 — figura tutelar de uma nostalgia que atravessa o livro sem nunca o explicar —, e a acção concentra-se em torno de Nuno, jovem toxicodependente que agoniza numa cama de hospital enquanto, à sua volta, se desmoronam as vidas dos que deveriam tê-lo salvado.

Cada capítulo é entregue a uma voz diferente: o pai, a mãe, a avó, a namorada, os amantes, os que ficaram e os que fugiram. Da sobreposição destes monólogos emerge o retrato de uma família da classe média lisboeta corroída pelo adultério, pela cobardia, pelo ressentimento e pela incapacidade radical de dizer o que sente — e, por extensão, o retrato de um país. Lobo Antunes recusa qualquer moral consolatória: não há culpados individuais, há um tecido inteiro de omissões, e a doença do filho funciona como o espelho em que todos são obrigados a olhar-se e onde nenhum se reconhece. A prosa, feita de repetições, interpolações e memórias que irrompem no meio da frase, reproduz formalmente o desconcerto das consciências.

Romance central na obra do autor e um dos mais lidos, destina-se aos leitores de ficção portuguesa contemporânea e a quem se interesse pela representação literária da família, da toxicodependência e da hipocrisia burguesa no Portugal do fim do século XX.

Ficha Técnica
Título: A Morte de Carlos Gardel
Autor: António Lobo Antunes
Editor: Publicações Dom Quixote
Páginas: 392
Idioma: Português
Estado: Bem conservado. Com breve inscrição na página inicial

Detalhes