A Batalha Naval / Jaime Salazar Sampaio
A Batalha Naval de Jaime Salazar Sampaio (1.ª ed., Prelo, 1970) — peça onde o jogo de tabuleiro é metáfora de poder e confronto ideológico. Contenção formal e densidade simbólica. Bem conservado.
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Descrição
Em A Batalha Naval, Jaime Salazar Sampaio constrói uma peça que, sob a aparência lúdica evocada pelo título, se revela uma meditação penetrante sobre conflito, estratégia e condição humana. O jogo infantil que lhe dá nome funciona como metáfora estruturante de relações de poder, de confronto ideológico e de desencontro afectivo, num espaço dramático onde cada gesto implica cálculo e cada silêncio denuncia tensão latente. A dramaturgia de Salazar Sampaio distingue-se pela contenção formal e pela densidade simbólica. O diálogo é depurado, frequentemente cortante, explorando a ambiguidade moral das personagens, que se movem num tabuleiro invisível de interesses cruzados. A acção progride por revelações graduais, sugerindo que o verdadeiro embate não ocorre apenas entre adversários declarados, mas no interior de cada consciência. O autor trabalha com precisão a alternância entre o explícito e o subentendido, permitindo que o espectador participe activamente na construção de sentido. Integrada no repertório da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, esta obra reflecte uma fase do teatro português em que se procurava conciliar experimentação formal e intervenção crítica. A peça assume, assim, uma dimensão simultaneamente estética e ética, convocando o leitor para uma reflexão sobre responsabilidade, memória e escolha. A Batalha Naval permanece actual pela clareza com que expõe os mecanismos do confronto humano, transformando um jogo aparentemente inocente num espelho inquietante da realidade social e política.
Ficha Técnica
Título: A Batalha Naval
Autor: Jaime Salazar Sampaio
Editor: Prelo
Ano de Edição: 1970
Páginas: 72
Idioma: Português
Estado: Bom — bem conservado
Notas: 1.ª edição
Detalhes
- Autor/a:Jaime Salazar Sampaio






