O Conde d’Abranhos / Eça de Queiroz
O Conde d’Abranhos é uma das mais ferozes sátiras de Eça de Queiroz (1845–1900), o grande mestre do Realismo português.
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Descrição
O Conde d’Abranhos é uma das mais ferozes sátiras de Eça de Queiroz (1845–1900), o grande mestre do Realismo português. Escrita no final da década de 1870 mas publicada apenas postumamente, em 1925 — geralmente acompanhada do conto de intenção patriótica A Catástrofe —, a obra revela a veia mordaz do autor de Os Maias aplicada, desta vez, ao retrato impiedoso da classe política oitocentista.
O engenho do livro está na voz que o conduz: quem narra é Z. Zagalo, dedicado secretário que se propõe fazer o elogio biográfico do seu adorado mestre, o «português histórico» Alípio Severo Abranhos, nascido em Penafiel no dia de Natal de 1826. Ao tentar engrandecer o patrono, porém, o fiel bajulador acaba por expor, sem o querer, a verdadeira natureza da personagem: a vergonha das origens humildes, o abandono e a negação da família, a incompetência disfarçada de saber, e uma ascensão política inteiramente alicerçada na adulação calculada, nos discursos ocos e no mais consumado oportunismo. Da contradição entre o panegírico do narrador e os factos que ele próprio revela nasce uma ironia demolidora, que faz do livro um retrato caricatural — e intemporal — dos que se propõem governar os outros.
Pela acuidade da crítica social e pela atualidade dos seus alvos — a corrupção, o carreirismo, a mediocridade travestida de mérito —, O Conde d’Abranhos dirige-se a todos os leitores de Eça e a quantos apreciam a sátira política e de costumes. É uma obra breve mas certeira, em que a genialidade queirosiana se exerce com particular causticidade.
Ficha Técnica
Título: O Conde d’Abranhos
Autor: Eça de Queiroz
Editor: Lello & Irmão
Páginas: 239
Idioma: Português
Estado: Bem conservado. Rubrica de posse
Detalhes
- Autor/a:Eça de Queiroz






