Descrição
«A exposição desta colecção dos Encontros de Fotografia representa um momento particularmente importante na vida desta instituição e,
provavelmente, também um ponto de viragem.
Por um lado, porque apresentar uma colecção, mesmo de uma forma sectorial, representa uma transparência importante que quisemos assumir. Quando uma colecção se apresenta, sobretudo quando ela é oriunda, não de recursos financeiros mas de cumplicidades e partilha de projectos, é toda uma relação de memórias partilhadas, produções e intenções que se desenha.
O fio desse desenho é por vezes simples e fluido, outras difícil e árduo. Os Encontros de Fotografia de Coimbra foram iniciados em 1979 por um grupo muito restrito de pessoas que julgaram ser necessário e oportuno mostrar fotografia de uma forma regular, entrar no circuito de produção de projectos específicos e fazer de Coimbra um pólo imprescindível na fotografia europeia.
Nesse sentido, conseguimos realizar a maior parte desses objectivos, por vezes só através de um grande envolvimento pessoal e do estabelecimento de uma rede de colaborações que nos trouxe interrogações, novas formas de compreender a fotografia e a sua relação com a prática das artes visuais em geral.
O nosso entendimento da fotografia também se alterou ao longo destes 26 anos, como a própria prática fotográfica mudou. Assim, o campo de trabalho dos Encontros de Fotografia foi passando a incluir o amplo sector das artes que lidam com a imagem produzida a partir de sistemas ópticos, ou de lentes, tocando o filme experimental, o vídeo, as inúmeras formas da imagem digital na sua relação com o universo da arte contemporânea. E, assim, também o leque de artistas com que trabalhámos ao longo do tempo se ampliou. Para todos há o encontro com um número de imagens que refazem, num sentido que não queremos, nem poderíamos poder querer, ser representativo de mais nada senão do percurso desta exposição.
Um esclarecimento final há ainda a fazer sobre o que reúne estas obras: a fotografia tem sido, ao longo do século XX, um dos mais eficazes suportes de afirmação do feminino, quer em termos de pesquisa identitária, quer como afirmação da mulher no campo da arte como no campo social.
Por motivos vários, a representação do feminino constituía uma tónica importante no nosso espólio. Decidimos, portanto, começar por aqui.
Nesse sentido, o convite a Delfim Sardo para comissariar esta exposição é o resultado de um longo percurso de colaborações (desde 1985), mas também o resultado de uma sintonia de propósitos e convicções que estiveram tão patentes no Projecto Mnemosyne/Bienal de Coimbra, que apresentamos em 2000 e que Delfim Sardo comissariou para os Encontros.
Resta-me agradecer a todos os que, ao longo destes 26 anos partilharam connosco projectos e espectativas, bem como a todos aqueles que, agora, preparam em colaboração o futuro, com a certeza de que um Centro de Artes Visuais em Coimbra, com uma programação de vocação internacional, é uma componente essencial do desenvolvimento.
Um agradecimento muito especial aos artistas e coleccionadores que se juntaram a nós, emprestando obras que completam e amplificam a exposição, sobretudo a Manuel e Alexandra Pinho, Julião Sarmento, Jorge Molder, Helena Almeida, Ana Vieira e Anne Villepoix.»
- Albano Silva Pereira
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Centro de Artes Visuais, 2006. Com 169 [2] p. : il. ; 27 cm; E.
[Bem conservado]









