O Último Tarzan / Augusto Cid

Augusto Cid (Horta, Faial, 1941 — Lisboa, 14 de Março de 2019) foi considerado o mais incómodo dos caricaturistas portugueses — e é difícil imaginar elogio maior.

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Descrição

Augusto Cid (Horta, Faial, 1941 — Lisboa, 14 de Março de 2019) foi considerado o mais incómodo dos caricaturistas portugueses — e é difícil imaginar elogio maior. O seu traço fino e nervoso, influenciado pelo cartoon inglês e aguarelado com uma paleta que tornava as figuras ao mesmo tempo cómicas e inquietantes, foi durante décadas o espelho mais honesto e mais impiedoso da política portuguesa pós-25 de Abril. Satirizou Cunhal, Balsemão, Eanes — a quem dedicou dois livros, O Superman e Eanito el Estático, que lhe valeram processos judiciais — e continuou a satirizar independentemente de quem estivesse no poder.

O Último Tarzan, terceiro livro de Cid a ser apreendido judicialmente, voltou às bancas quase de imediato — e esse detalhe diz tudo sobre a relação entre o caricaturista e os seus alvos: a apreensão não silenciava, tornava o livro mais desejável. A capa desta edição da Intervenção é ela própria um manifesto: um Tarzan de óculos e calções de girafa, a pendurar-se numa liana sobre crocodilos com foice e martelo, no pós-PREC que tentava ao mesmo tempo recuperar da turbulência e perceber o que tinha ficado para trás. O humor de Cid não era panfleto — era diagnóstico, feito com a inteligência de quem observa sem ilusões e com a generosidade de quem ainda acredita que rir é uma forma de resistência.

Ficha Técnica

  • Título: O Último Tarzan
  • Autor: Augusto Cid
  • Editor: Intervenção
  • Estado: Capas com alguns sinais de manuseamento; miolo bem conservado
  • Notas: Páginas inumeradas

Detalhes