O Ramal de Sintra / Jaime Salazar Sampaio

Contos de Jaime Salazar Sampaio (1960), 1.ª edição — obra que marca a transição do autor para o teatro do absurdo. Temáticas do silêncio, solidão e angústia existencial.

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Descrição

Publicado em 1960, O Ramal de Sintra encerra o período de interregno teatral de Jaime Salazar Sampaio (Lisboa, 1925 — 2010), durante o qual o autor se dedicou intensamente à poesia e à prosa narrativa antes de regressar triunfalmente à dramaturgia que o consagraria como um dos mais representados dramaturgos portugueses do século XX. Engenheiro silvicultor doutorado pela Sorbonne e especialista em economia da cortiça, Salazar Sampaio manteve a literatura como actividade paralela que viria a revelar-se central para a sua identidade criativa. Este volume de contos, juntamente com o livro de poesia O Silêncio de um Homem publicado no mesmo ano, marca a transição entre a sensibilidade lírica surrealista e existencialista que dominou a sua escrita nos anos 1950 e o regresso definitivo ao teatro do absurdo em 1961 com O Pescador à Linha. A obra situa-se numa matriz temática que atravessará toda a sua produção literária subsequente: a solidão, o silêncio, a incomunicabilidade, a angústia existencial do homem perante o absurdo da existência. Sebastiana Fadda, uma das principais estudiosas da obra de Salazar Sampaio, relaciona directamente os contos de O Ramal de Sintra com a temática do silêncio e da solidão num texto significativamente intitulado A Poesia Encoberta no Palco Despido. Os textos revelam já a mestria dialógica e a capacidade de construção dramática que o autor desenvolveria nas décadas seguintes em cerca de sessenta peças teatrais, recebendo em 1997 o Grande Prémio de Teatro da APE/Ministério da Cultura por Um Homem Dividido e em 1998 o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores. A influência de Strindberg, Pirandello, Pessoa e Beckett está já presente nestes contos — autores que Salazar Sampaio elegeu como referências fundamentais e cujas lições perpassam uma obra literária que se singulariza pela coerência estética, pela honestidade intelectual e pelo posicionamento constante em defesa da liberdade individual contra todas as formas de opressão. Trata-se de uma obra rara, de difícil localização no mercado alfarrabista.

Ficha Técnica
Título: O Ramal de Sintra
Autor: Jaime Salazar Sampaio
Editor: Contraponto
Ano de Edição: 1960
Páginas: 56
Idioma: Português
Estado: Muito bom — muito bem conservado
Notas: 1.ª edição

Detalhes