Memorial do Convento / José Saramago
Memorial do Convento, publicado em 1982, é um romance histórico de José Saramago que subverte as convenções do género. A obra justapõe a “História” oficial do Portugal do século XVIII com as micro-histórias dos anónimos, desafiando a historiografia tradicional centrada em heróis e figuras de poder.
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Descrição
Memorial do Convento, publicado em 1982, é um romance histórico de José Saramago que subverte as convenções do género. A obra justapõe a “História” oficial do Portugal do século XVIII com as micro-histórias dos anónimos, desafiando a historiografia tradicional centrada em heróis e figuras de poder. Saramago utiliza uma narrativa de pendor ensaístico e uma escrita inovadora, marcada pela ausência de pontuação convencional e longos períodos, para tecer uma sátira mordaz ao absolutismo régio e ao poder eclesiástico.
Enquadramento Histórico e Crítica Social
A ação decorre entre 1711 e 1730, durante o reinado de D.
João V, um monarca absoluto e megalómano, que promete erguer um convento em Mafra caso a Rainha D. Maria Ana Josefa lhe dê um herdeiro. O nascimento da infanta Bárbara cumpre a promessa, e a construção colossal avança, financiada pelo ouro e diamantes do Brasil.
A obra é uma crítica profunda à exploração do povo, que, faminto e empobrecido, é recrutado para um trabalho extenuante e desumano, culminando na morte de milhares de trabalhadores. Saramago enfatiza a hipocrisia das instituições e a alienação religiosa, contrastando a grandiosidade da obra com a miséria de quem a constrói.
O Triunvirato Ficcional e o Fantástico
A “outra história”, a do povo, é protagonizada por um triângulo de personagens fictícias que se intersectam com figuras históricas (como o próprio D. João V e o Padre Bartolomeu de Gusmão):
Baltasar Mateus, o Sete-Sóis: Um ex-soldado maneta que perdeu a mão esquerda na guerra e que representa a mutilação e sacrifício do povo.
Blimunda de Jesus, a Sete-Luas: Uma mulher com poderes mediúnicos e clarividentes, capaz de ver o interior das pessoas (as suas vontades), que se torna companheira de Baltasar.
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão: Figura histórica de inventor, conhecido como o “Padre Voador”, que sonha com a criação de uma máquina voadora, a “Passarola”.
Estes três personagens unem-se no sonho de voar, construindo a Passarola com a ajuda de 2000 “vontades” recolhidas por Blimunda. O voo da máquina, um elemento de realismo mágico, simboliza a liberdade e a imaginação que se opõem à opressão e à força bruta da construção do convento.
Ficha Técnica
Título: Memorial do Convento
Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Ano: 1994
Género: Romance Histórico / Ficção Literária
Detalhes
- Autor/a:José Saramago






