Felizmente há Luar! / Luís de Sttau Monteiro

Felizmente há Luar! de Sttau Monteiro (Ática, 7.ª ed.) — peça épica de 1961, símbolo da resistência ao Estado Novo. Revisita o martírio de Gomes Freire de Andrade como espelho da ditadura salazarista. Bem conservado.

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Descrição

Publicada originalmente em 1961, Felizmente há Luar! consagra-se como uma das pedras angulares da dramaturgia portuguesa contemporânea, erguendo-se como um grito de resistência sob a égide do teatro épico de influência brechtiana. A narrativa, estruturada em dois atos, recua até ao dealbar do século XIX, mais precisamente ao ano de 1817, para revisitar a conspiração liberal e o subsequente martírio de Gomes Freire de Andrade. Contudo, esta incursão histórica serve como um espelho anacrónico, onde o autor reflete e denuncia as estruturas de opressão, o arbítrio do poder e o silenciamento impostos pela ditadura do Estado Novo, época em que a própria obra foi alvo de severa censura e proibição de palco. O texto desenrola-se através de um jogo dialético entre as forças do poder institucional — personificadas pelas figuras de Beresford, D. Miguel Forjaz e o Principal Sousa — e a resistência ética, alimentada pela dor e esperança de um povo que aguarda o “luar” como símbolo de clarividência. A ausência física de Gomes Freire em cena é um recurso dramatúrgico magistral que o eleva à condição de mito, transformando o seu sacrifício num catalisador moral para a consciência coletiva. Sttau Monteiro utiliza uma linguagem de sobriedade clássica e rigor intelectual, tecendo uma crítica mordaz à cumplicidade estrangeira e ao obscurantismo, enquanto exalta a dignidade humana perante a tirania.

Ficha Técnica
Título: Felizmente há Luar!
Autor: Luís de Sttau Monteiro
Editor: Ática
Páginas: 164
Idioma: Português
Estado: Bom — capas com ligeiros sinais de manuseamento; miolo bem conservado
Notas: 7.ª edição (ilustrado)

Detalhes