Barranco de Cegos / Alves Redol

Romance de Alves Redol (1911–1969), figura tutelar do neo-realismo português e fundador, com Gaibéus (1939), do movimento literário que reescreveu o romance português à luz das condições materiais e sociais do trabalho rural ribatejano.

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Descrição

Romance de Alves Redol (1911–1969), figura tutelar do neo-realismo português e fundador, com Gaibéus (1939), do movimento literário que reescreveu o romance português à luz das condições materiais e sociais do trabalho rural ribatejano. Edição da Portugália, casa que durante as décadas de cinquenta e sessenta acolheu sucessivamente os principais romancistas neo-realistas e fixou a fisionomia editorial do movimento para uma geração de leitores.

O livro pertence ao chamado «ciclo do vinho» do autor — o último grande projecto de Redol, dedicado à terra do barro de Vila Franca de Xira e ao mundo dos trabalhadores e proprietários da margem direita do Tejo. Barranco de Cegos trabalha matéria humana exigente: a cegueira moral de um patrão, o destino dos trabalhadores enredados nas dependências do latifúndio, a violência mansa das relações familiares numa sociedade rural ainda fechada sobre si mesma. À volta do barranco que dá título ao romance — espaço físico e metáfora simultânea — desenrola-se o drama de personagens cuja densidade psicológica a maturidade do autor lhe permite trabalhar com cuidado raro, longe já do esquematismo doutrinário das primeiras obras do movimento.

Volume essencial para leitores do neo-realismo português, historiadores da literatura portuguesa do século XX, estudiosos do romance rural ibérico e bibliófilos das edições Portugália. Pelo lugar que ocupa no ciclo redoliano e pela qualidade da prosa, é peça de leitura obrigatória para quem queira compreender a evolução interna do movimento, das suas certezas iniciais à sua espessura mais propriamente literária.

Ficha Técnica
Título: Barranco de Cegos
Autor: Alves Redol
Editor: Portugália
Páginas: 402
Idioma: Português
Estado: Muito bem conservado. Rubrica de posse

Detalhes