As Imagens Destruídas / Faure da Rosa
A grande importância que o novo livro de Faure da Rosa adquire na literatura portuguesa moderna não se mede apenas pela originalidade, a densidade, a subtileza psicológica, que aliás sempre distinguiram a forte personalidade do autor.
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Descrição
A grande importância que o novo livro de Faure da Rosa adquire na literatura portuguesa moderna não se mede apenas pela originalidade, a densidade, a subtileza psicológica, que aliás sempre distinguiram a forte personalidade do autor. As Imagens Destruídas possui com efeito, para além de tudo o mais, a característica dos romances verdadeiramente susceptíveis de exprimir uma época, na medida em que lhe surpreende, universalizando-o, o que de típico possui e que, por isso mesmo, mergulha raízes nas interrogações mais prementes do homem seu contemporâneo.
Na verdade, para além dos particularismos de uns quantos pequeno-burgueses, o que Faure da Rosa, como todo o grande romancista, atinge é um dos problemas centrais do nosso tempo — no caso de As Imagens Destruídas o incurável processo de decadência da pequena burguesia em geral, decadência exacerbada pelo peso da cinzenta mediocridade secular de um país subdesenvolvido, no qual o passado agrilhoa os homens, pessoal e colectivamente.
Acontece efectivamente que, se às personagens do romance se individualizam com toda a nitidez (e Paula é, devemos dizê-lo, uma das mais profundas figuras de mulher que têm surgido na ficção portuguesa), tal individualização alcança O mais alto relevo como testemunho exemplar de uma situação colectiva.
Deste modo compreendemos por que razão a existência é para essas personagens um conjunto avulso de imagens destruídas de seres e da própria vida que diariamente alienam, quase sem outras perspectivas senão a posse de bens materiais, de coisas
que as dominam ou de pessoas coisificadas num mundo coisificado e transfigurado por pequenos mitos. Num mundo assim torna-se impossível a comunicação.
Todos eles são entes isolados. Monologam com os outros. Ouvem-se a si próprios. Só se identificam nos gestos do hábito, na sensação que os persegue do provisório, da monotonia e de um certo absurdo da vida que chega a fugir às coordenadas do tempo, esgotada quase por completo num presente instável sem futuro.
Ficha Técnica
Título: As Imagens Destruídas
Autor: Faure da Rosa
Editor: Portugália
Ano de Edição: 1966
Páginas: 2
Idioma: Português
Edição: 1ª
Estado: Capas com algumas marcas de manuseamento; miolo bem conservado e ainda com os cadernos por abrir.
Detalhes
- Autor/a:Faure da Rosa








