Teatros do Tempo (1994-2000)/ Manuel Gusmão

“Do novo livro de Manuel Gusmão, “Teatros do Tempo”, devemos abandonar o pudor de dizer que se trata de um dos momentos mais altos da poesia portuguesa dos últimos anos.” António Guerreiro

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Sobre o Livro

Este terceiro livro de poemas de Manuel Gusmão (n 1945) foi muito aplaudido e considerado por alguns críticos um marco na poesia portuguesa mais recente. Uma reflexão sobre o mundo (numa entrevista a António Guerreiro, para o Expresso, Cartaz, Gusmão terminava citando Benjamin, “O mundo é a nossa tarefa”) e o tempo, contínuo/descontínuo, num livro que convoca vários géneros (“a sequência central é uma espécie de poema lírico-narrativo, onde a narratividade é necessariamente corroída pelo lírico, agregando ao mesmo tempo elementos dramáticos.” Manuel Gusmão, na mesma entrevista).

” Numa época em que a literatura é mais contemplativa e desencantada, vagamente irónica, distraidamente crítica, aconchegada ao linho branco de uma melancolia sem azedume, a poesia de Manuel Gusmão e Joaquim Manuel Magalhães destoa, irrompe, desarruma, ou mesmo agride. Há aqui algo a que estamos pouco habituados: uma veemência extrema, uma exigência radical, um desejo de pensar e de sentir o mundo de alto a baixo, no seu espanto e na sua fundura. Com duas diferenças, talvez. Por um lado, a poética de Manuel Gusmão parece defender que a produção dos instantes sublimes seja imanente ao próprio desenrolar da textualidade do poema, como que um seu efeito diferido a partir de certos rostos, circunstâncias ou paisagens de assombro. É apoiando-se no que há de banalmente impossível no mover de um rosto, no andar de pés descalços sobre o chão da casa, num riso destemido e inocente que Manuel Gusmão procura decompor o movimento, como os futuristas faziam, a partir das experiências de Marey, para nós sentirmos nesses momentos de plasticidade sumptuosa da matéria, dos corpos, do pensamento, uma espécie de apoteose da vida, que o fogo cruzado da pintura ou do cinema, da música ou da fotografia, vem consagrar (e nada de mais empolgante do que esses cenários que se interceptam numa memória culturalmente apaixonada). Donde, tudo aquilo que é memória em Manuel Gusmão parece inscrever-se como futuro em promessa desse espaço virtual.”
Eduardo Prado Coelho, Público, Mil Folhas

Detalhes do produto

Ano: 2001

Nº Edição:

Descrição Física: 135 p. ; 21 cm

Coleção: Caminho da Poesia