Os possessos : peça em três actos adaptada do romance de Dostoievski / Albert Camus

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Descrição

Parafraseando expressões do próprio Camus, o Teatro é o convento onde ele se recolhe para meditação sobre a condição humana. O malogrado autor cuja obra Livros do Brasil tem publicado na colecção «Miniatura» (A Peste, O Exílio e o Reino, O Avesso e o Direito) não só foi dramaturgo em Calígula e O Equívoco (publicados na mesma colecção) mas deixou uma vasta série de adaptações de textos dramáticos, originalmente peças de teatro ou romances, a que atribuía excepcional valor, não à história ou anedota, mas às verdades profundas que as acções convencionais e as formas literárias escondiam sob a sua roupagem tradicional. Para Camus, o entrecho é menos importante que a sua ressonância. Assim ele criou imagens cénicas novas para obras de Lope de Vega, Faulkner, Ésquilo, Calderon e finalmente para Dostoievski, que Camus considerava o maior profeta do nosso tempo, um criador cuja influência se mostrou mais determinante que a do próprio Marx. A escolha dos Possèdès, essa grandiosa obra de Dostoievski, para exercer sobre ela a sua teoria do Teatro concentrado, nu e eficaz, não foi sem razão nem por mero exercício dramático. Nos Possessos (em russo Os Demónios) encontra-se prevista a aventura de um povo que desconhecendo os princípios sociais caminha para a perdição julgando salvar-se. Passado no seu tempo, é no século XX que deve compreender-se o romance de Dostoievski. E Camus, naquela teoria que no Teatro é que ( em três horas um homem tem de mostrar e exprimir todo o seu destino excepcional» transformou o grande e complexo romance russo na peça em vinte e dois quadros, a que um duro trabalho de encenação dirigida por ele próprio, ajudava à interpretação da sua linguagem sóbria, seca, quase anti-literária — se assim se pode dizer mas de enorme lucidez e intensidade dramática