O Homem Impotente / Charles Richet

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Descrição

PREFÁCIO

Se os gênios se caracterizam, como disse Vitor Hugo, por andarem com um pé no futuro, Charles Richet é bem um gênio. E que incontestavelmente ele merece êsse nome está provado pelo valôr e complexidade dos seus trabalhos. Foi Richet quem descobriu a soroterapia e a anafilaxia. Completou assim magnificamente a obra de Pasteur. Mas, se o médico e o fisiologista fôram grandes, menos não foi o psicólogo: o seu livro sôbre Psicologia Geral, escrito há mais de quarenta anos, ainda é hoje uma obra clássica de que se renovam inces- santemente as edições.
Certa vez, passando pela enfermaria em que Richet trabalhava (êle era ainda aluno de medicina), Charcot o viu hipnotizar uma doente. Daí lhe veio um dos estímulos para estudar êsse assunto. Mas do que Charcot fez, nêsse particular, não resta nada: o tempo desmentiu tudo. Do que Richet fez resta o seu belo livro sôbre «O Homem e a Inteligência»
Literato, tem escrito fábulas e poesia, algumas das quais foram premiadas pela Academia Francesa.
Até em domínios, nos quais ninguém pensaria encontra-lo, êle assinalou a sua presença: foi dos primeiros a fazer experiências com aeroplanos helicópteros, de que os modernos autogiros são descendentes.
Recentemente, convencido de que nas alegacões dos espiritistas há alguma coisa verdadeira, senão as teorias pelo menos os fatos, decidiu-se a estuda-los cientificamente.
Para tôda parte se volta o seu espírito, tão ávido de saber, como de realizar.
A tudo isso junta ser uma figura superior de homem, que todos respeitam pela nobreza de sua vida particular.
É dêle o livro que se vai lêr.
O autor começa mostrando as limitações do poder humano, para onde quer que se volte. Essa demonstração exaustiva é impressionante. Vagamente nós temos a convicção de que o Homem é poderosíssimo. Richet percorre, um por um, os domínios em que nós podemos agir e mostrar como isso não passa de uma ilusão.
Por fim, entretanto, querendo acabar com uma nota um pouco mais consoladora, êle acha que ao menos no domínio do nosso fôro íntimo, nós conseguimos, pela vontade consciente, agir sobre nós mesmos. E podemos, graças a isso, elevar-nos um pouco. Há talvez nessa afirmação uma generosa ilusão de grande sábio. Ele generalizou de mais o seu caso particular. Descendente de família austera, em que os grandes exemplos são frequentes, êle herdou uma tendência à superioridade de caráter, que outros não terão.
Aludindo ao avô, êle cita o que êste escreveu:
«Quando me dizem uma frase que me magoa, eu fico triste um dia inteiro; mas quando sou eu que a digo aos outros, fico triste um mês inteiro».
O pai, professor na Faculdade de Paris, morreu, cercado de alunos, fazendo-lhes uma lição sôbre a doença, que o estava matando. Esta cena está aliás contada no Docteur Pascal, de Emile Zola.
O homem que vem de tal estirpe tem por força uma formação mental diversa do comum dos mortais. Sendo, assim, a demonstração que Richet quis fazer da incapacidade do homem é talvez mais ampla do que êle mesmo supunha, porque a única exceção que abriu, válida para êle, não o será por certo na maioria dos casos.
Que força íntima de resistência moral pode encontrar em si um descendente miserável de pais alcoólicos ou criminosos? Nenhuma?
O livro é bom, claro, bem argumentado e por tudo isso, tristemente convincente.

MEDEIROS E ALBUQUERQUE

Detalhes:

Ano: 1956

Descrição Física: 150 p. ; 19 cm

Condição: Livro bem conservado