Mensagem / Fernando Pessoa

Com Duas Notas de David Mourão-Ferreira.

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Descrição

A Mensagem é mítica e é simbólica. Os 44 poemas encontram-se agrupados em três partes, ou seja, as etapas da evolução do Império Português – nascimento, realização e morte. Fernando Pessoa procura aí anunciar um novo império civilizacional. O “intenso sofrimento patriótico” leva-o a antever um império que se encontra para além do material.
Mensagem, apesar de conter poesias breves, compostas em momentos diversos, garante uma unidade histórica e lógica, sequencial e coerente. A sua estrutura tripartida permite contar e refletir sobre a vida e o percurso de Portugal ao longo dos séculos.
A primeira parte – Brasão – corresponde ao nascimento, com referência aos mitos e figuras históricas até D. Sebastião, identificadas nos elementos dos brasões. Dá-nos conta do Portugal erguido pelo esforço dos heróis e destinado a grandes feitos. Começa pela localização de Portugal na Europa e em relação ao Mundo, procurando atestar a sua grandiosidade e o valor simbólico do seu papel na civilização ocidental quando afirma “O rosto com que fita é Portugal!”. Depois define o mito como nada capaz de gerar os impulsos necessários à construção da realidade; apresenta Portugal de um povo heroico e guerreiro, construtor do império marítimo; faz a valorização dos predestinados que construíram o País (Ulisses, Viriato, Conde D. Henrique e seu filho Afonso Henriques, D. Dinis, D. João I, D. Sebastião, Nuno Álvares Pereira, D. Henrique, D. João II e Afonso de Albuquerque); e refere as mulheres portuguesas, mães dos fundadores, celebradas como “antigo seio vigilante” ou “humano ventre do Império” como D. Teresa ou D. Filipa de Lencastre, mãe da “ínclita geração”.
Na segunda parte – Mar Português – surge a realização e vida. Inicia-se com o poema Infante, onde o Poeta exprime a sua conceção messiânica da história, mostrando que o sopro criador do sonho resulta de uma lógica que implica Deus como causa primeira, o homem como agente intermediário e a obra como efeito. Nos outros poemas evoca a gesta dos Descobrimentos com as personalidades (Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães e Vasco da Gama) e acontecimentos que exigiram uma luta contra o desconhecido e os elementos naturais, com as glórias e as tormentas, considerando que valeu a pena. No antepenúltimo poema evoca a partida de D. Sebastião na Última Nau e o último poema é a Prece, onde renova o sonho. No Mar Português procura simbolizar a essência do ideal de ser português vocacionado para o mar e para o sonho.
Na terceira parte – Encoberto – aparece a desintegração, havendo, por isso, um presente de sofrimento e de mágoa, pois “falta cumprir-se Portugal”. Encontra-se tripartida em Os símbolos (D. Sebastião, O Quinto Império, O Desejado, As Ilhas Afortunadas, O Encoberto), Os avisos (Bandarra, Vieira e “Screvo meu livro à beira-mágoa”) e Os tempos (Noite, Tormenta, Calma, Antemanhã, Nevoeiro). Com os primeiros, começa por manifestar a esperança e o “sonho português”, pois o atual Império encontra-se moribundo. Mostra a fé de que a morte contenha em si o gérmen da ressurreição. Nos três avisos define os espaços de Portugal; com os cinco tempos traduz a ânsia e a saudade daquele Salvador/Encoberto que, na Hora, deverá chegar, para edificar o Quinto Império, moral e civilizacional.

Detalhes:

Editora: Ática

Ano: 1997

Nº Edição: 18ª

Descrição Física: 110 p. ; 20 cm

Condição: Bem conservado