Diálogo Entre Marx e Bakunine / Maurice Cranston

Tradução e notas de Júlio Carrapato.

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Descrição

«Bakunine tem uma teoria muito particular, uma salgalhada de proudhonis-mo e de comunismo, em que o essencial, em primeiro lugar, e que para ele o principal mal a eliminar não é o capital e, por conseguinte, a oposição de classe entre capitalistas e assalariados que resulta da evolução social, mas o Estado. Enquanto a grande massa dos operários sociais-democratas considera connosco que o poder de Estado não é mais que a organização que as classes dominantes proprietários fundiários e capitalistas — criaram para defender os seus privilégios sociais, Bakunine pretende que o Estado criou o capital, que o capitalista só detém o seu capital graças ao Estado. Por consequência, como para ele o mal principal é o Estado, seria preciso antes de mais suprimir o Estado, e o capital iria então por si mesmo para o diabo. Nós, pelo contrário, dizemos: suprimam o capital, a apropriação do conjunto dós meios de produção nas mãos de uns poucos, e então o Estado desmoronar-se-á por si mesmo. A diferença é essencial: a abolição do Estado sem prévia revolução social é um absurdo, a abolição do capital constitui precisamente a revolução social e contém em si uma transformação dos meios de produção. Ora, como para Bakunine o Estado é o mal fundamental, não se deve fazer nada que possa manter o Estado com vida, seja qual for o Estado: república, monarquia ou outro qualquer. Por conseguinte, é preciso ficar inteiramente à margem de toda a política. Praticar um acto político e, em particular, participar numa eleição, seria trair os princípios. É preciso fazer propaganda, denegrir o Estado, organizar e, quando se tiver todos os trabalhadores do nosso lado, portanto a maioria, renuncia-se a todas as autoridades e suprime-se o Estado, que se substitui pela organização da Internacional. Este grande feito, com o qual se inicia o reino milenário, chama-se a liquidação social.»

 

Carta de Engels a Cuno, 24 de Janeiro de 1872

«O Estado político de cada país, diz ele (Marx), é sempre o produto e a expressão fiel da sua situação económica; para mudar o primeiro, é preciso apenas transformar esta última. Todo o segredo das evoluções históricas, segundo o Senhor Marx, está aí. Ele não toma em consideração os outros elementos da história, tais como a reacção, no entanto evidente, das instituições políticas, jurídicas e religiosas sobre a situação económica. Ele diz?’ «A miséria produz a escravatura política, o Estado», mas não permite que se vire essa frase às avessas e -se _diga: «A escravatura política, o Estado, reproduz por sua vez e mantém a miséria, como urna condição da sua existência; de tal modo que, para destruir a miséria, é preciso destruir o Estado». Marx ordena aos seus discípulos que considerem a conquista do poder e das liberdades políticas como condição prévia, absolutamente necessária, da emancipação económica, não tomando em consideração senão a questão económica; ele diz de si para consigo que os países mais capazes de fazerem uma revolução social são aqueles nos quais a produção capitalista moderna atingiu o mais alto grau do seu desenvolvimento. A dita revolução consistirá na expropriação dos proprietários e dos capitalistas actuais e na apropriação de todas as terras e de todo o capital pelo Estado que, para poder preencher a sua grande missão tanto económica como política, deverá necessariamente ser muito poderoso e muito fortemente concentrado: no interior, será a escravatura e, no exterior, a guerra sem tréguas.»

Mikhail Bakunine

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