Como o Sr. Jacob enganou o socialismo / Afonso Botelho

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Descrição

Caso singular na literatura portuguesa é a existência de um humorista como Afonso Botelho. Rica, desde as mais remotas origens, em obras de sarcasmo, rica em obras de sátira que se prolongaram desde o século XVIII aos nossos dias, rica também, com Eça de Queiroz e seus epígonos, em obras de ironia, a literatura portuguesa não possuía um escritor de humor. Surpreendentemente,
Afonso
Botelho assume essa posição logo nas primeiras novelas que publica – «A Intriga» e «Meia Hora de Espera», desenvol-ve-a, a seguir numa peça de teatro – «O Hábito de Morrer» – para, depois, nos dar uma obra-prima de originalidade que é a novela «O Toiro Celeste Passou».

Ao apresentar agora «Como o Sr. Jacob Enganou o Socialismo» — já em parte publicado na revista «Escola Formal» -, Afonso Botelho exercita o seu humorismo na observação de como os diversos sectores de uma população tranquila e operosa reagem a uma avalanche revolucionária que se instala no poder.
O que, do sarcasmo e da ironia, distingue o humorismo, é a representação da morte. O sarcasmo ri-se com escárnio e a ironia com inteligência, das inferioridades dos homens. O humor ri-se, por um lado, da morte a que todos os homens estão sujeitos e, por outro lado, do medo que os homens têm da morte.
Nos livros de Afonso Botelho, a morte, ou o seu equivalente, é sempre a personagem central. Seus protagonistas estão sempre do lado donde se conhece a morte seja porque têm o hábito de morrer, como o ilusionista da peça com este título que todas as noites tem de morrer em frente do público, seja porque, como o Sr. Jacob, cangalheiro por ofício e negócio, da morte vivem dia-a-dia.
O humorismo – e muito claramente o de Afonso Botelho – reside nisto: muito sofrem e se atormentam os homens uns aos outros, na política, no amor, na intriga; porquê? Porque não querem pensar na morte que, todavia, lhes é inexorável.
Dedicando-se também à filosofia – e com uma persistência, profundidade e informação maiores do que as que dedica à novelística – Afonso Botelho sabe, contudo, que, como afirmava Espinosa, «é indigno do filósofo pensar a morte». O humorismo cultivado na novela assume assim uma nova dimensão.

Detalhes:

Idioma: Português

Ano: 1978

Nº Edição:

Descrição Física: 239 [5] págs. ; 20 cm

Colecção: Autores portugueses