Camões e o Pensamento Filosófico do Seu Tempo

Prefácio de Luís de Sousa Rebelo.

Textos de Egídio Namorado, Luís de Sousa Rebelo, Roger M. Walker e João Mendes.

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Descrição

A obra de Camões tem tido muitas e diversas leituras que nos têm dado outras tantas versões da sua vida acerca da qual nade se sabe ao certo. O Romantismo viu nele o proscrito, depois de haver conhecido a cadeia, que de longes terras voltou pobre para vir morrer na pátria e com ela. Legitimamente consagrado como símbolo nacional, Camões é projectado em 1880 como o poeta inditoso que luta pela terra amada contra a degenerescência e os abusos do mando. Já nos nosso dias e ainda bem recentemente, a sua voz é escutada como um apelo ao ideal do império numa adesão tácita à política das guerras coloniais. Mas qual é o verdadeiro Camões que permitiu tantas e desvairadas leituras?
Para o conseguirmos saber, impõe-se compreender o seu pensamento dentro das categorias. filosóficas do Renascimento em que o poeta pensou as contradições do Mundo e do Homem. Oferecem-se neste livro as principais pistas para essa sondagem. E dão-se ao leitor os meios para poder quebrar o código de leituras feitas em função de um horizonte de expectativa subtilmente criado no público para a recepção da obra. Uma das novidades desta colectânea está em revelar, através das ambiguidades do discurso, as apreensões sentidas pelo poeta ante a filosofia do Poder e a sua prática, que o levam a protestar veementemente contra ele, em nome da dignidade dos ofendidos, manifestando uma dolorosa consciente da ordem social que divide os homens e o faz duvidar muitas vezes da justiça que assiste à duração do império.