Azulejos / Bernardo Pinheiro Pindella

Obra muito invulgar e apreciada. Conta com o prefácio de Eça de Queirós.

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Descrição

Bernardo Pinheiro Correia de Melo (1855-1911), agraciado por El-Rei D. Carlos pelo decreto de 28 de Setembro de 1895 com o título de Conde de Arnoso. Até então assinava-se sempre Bernardo Pindella em todos os seus trabalhos literários. O primeiro livro que publicou teve por título Azulejos.
No extenso – histórico e polémico – prefácio de Azulejos, Eça emite a sua opinião sobre o conto: “No conto tudo precisa de ser apontado num risco leve e sóbrio: das figuras deve-se ver apenas a linha flagrante e definidora que revela e fixa uma personalidade; dos sentimentos apenas o que caiba num olhar, ou numa dessas palavras que escapa dos lábios e traz todo o ser; da paisagem somente os longes, numa cor unida.”
Mas vai mais longe, abandona o foco de recomendação da obra que prefaciava para tecer considerações sobre as fragilidades do movimento literário do romantismo, chega mesmo a insinuar que houve uma debandada de muitos românticos oportunistas, que ao verem seus livros sendo preteridos pela nova onda literária, começaram a escrever sob os moldes realistas: “Sim, amigo, este homens puros, vestidos de linho puro, que tão indignamente nos arguiram de chafurdarmos num lameiro, vêm agora pé ante pé lambuzar-se com nossa lama! Depois, erguendo bem alto as capas de seus livros, onde escreveram em grossas letras este letreiro – romance realista, – parecem dizerem ao Público, com um sorriso triste na face mascarada: – ‘ Olhem também para nós, leiamnos também a nós … Acreditem que também somos muitíssimo grosseiros, e que também somos muitíssimo sujos.”