As Mãos da Escrita : 25 Anos do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea

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Descrição

SINOPSE

Sempre que olhamos para um manuscrito autógrafo, deparamo-nos com uma espécie de guerra, ou de um jogo, onde se identificam dois campos, cada um com o seu contendor residente. Ou então, como a ritualização de uma guerra. Mas se a história nos ensina que numa guerra nunca há empates, nenhum dos casos conhecidos de relações dramáticas entre um escritor e os seus manuscritos se pode dizer que alguma das partes – o escritor ou os papéis – venceu a outra: por detrás de um grande texto há sempre – ou terá sempre havido – um grande manuscrito; e a materialidade do manuscrito mais humilde ou mais primitivo fornece-nos sempre, com maior ou menor evidência (ou seja, revelando ou escondendo o seu jogo), os suportes e os traços que permitiram e documentam a génese de um texto.
Assim aconteceu, por exemplo, com os textos do anónimo notário da “Notícia de Torto” ou com os nossos grandes escritores – Sá de Miranda, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio, Vergílio Ferreira, outros -, e assim aconteceu também com os manuscritos deles. Para alguns autores, o suporte parece ser tão significante como os traços: um fragmento de papel de jornal, um envelope inutilizado, a página arrancada de uma agenda, o papel timbrado de um estabelecimento comercial, as costas de uma factura, uma lista de compras, um escrito inutilizado, um guardanapo de papel, um bilhete de eléctrico, um convite para uma recepção – tudo isto se torna lugar de escrita…

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