Análise Económica da Conjuntura / Francisco Pereira de Moura

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Descrição

PREFÁCIO

Ao entregarem-nos a regência da 9 (2. cadeira – Economia II, no ano lectivo de 1965-66, os Professores do 22. grupo (Economia) e o Conselho Escolar aprovaram um programa em que se repartiam as matérias por duas partes: uma de macro e outra de microeconomia. Em qualquer delas o nível da exposição e estudo deveria corresponder ao “intermédio” (consagrado pelos norte-americanos, para designar os cursos que seguem os de introdução); a orientação convinha que fosse, predominantemente, teórica, por ser a cadeira ainda incluiria no curso geral ou de formação básica ( 22. ano); e haveria que ter presente as ligações com as restantes disciplinas dos cursos geral, de Economia, e de Finanças. Este livro corresponde às lições dadas nos últimos quatro anos lectivos, na parte de macroeconomia (1) . Tendo sido muito razoáveis as alterações, ao longo deste per iodo, há todavia uma linha fundamental de orientação que se tem mantido, e que importa expôr aqui. E os pontos a esclarecer, para poderem ser debatidos e criticados, são: o âmbito dado á macroeconomia, a pouca ênfase atribuída a alguns tópicos, a polarização da análise para a política, o método de tratamento dos problemas, e o tipo de trabalho aconselhado aos alunos.
Duas razões são suficientes para restringir oestudo da macroeconomia aos problemas do curto prazo, ou seja de conjuntura: têm especificidade, riqueza e tradição suficientes, ao mesmo tempo que a parte excluiria, que é a macroeconomia de longo prazo, encontra lugar relevante no actual piano de estudos do I.S.C.E.F. (cadeiras de Economia 111 e IV e, ainda, nas de Politica Económica). De modo que a breve referência ao crescimento equilibrado, ou sem perturbações, que aparece no final do capitulo relativo aos ciclos, destina-se mais a facilitar uma ligação entre as cadeiras, e a abrir perspectivas aos alunos que virão a seguir o curso de Finanças.
Não faltará quem note o fraco relevo dado aos temas da moeda e bancos, finanças públicas, porventura economia internacional e, mesmo, aos ciclos. Comecemos pelo mais fácil . Os estudantes têm, no seu 20. ano do I.S.C.E.F., as cadeiras de Finanças 1 e de Economia 11,simult8neamente;de modo que as breves referências do capitulo 4 destinam-se, apenas, a completar um quadro analítico geral em que os fluxos de finanças públicas desempenham papel primordial e, porventura, a alinhar por idêntico diapasão metodológico matérias integradas em programas e contextos diferentes . E quanto à economia internacional, pensa-se que o essencial fica tratado, se não esquecermos a perspectiva conjuntural em que nos situamos; tópicos como os custos comparados e o financiamento externo cabem em programas de desenvolvimento económico, e as matérias de natureza marcadamente institucional quadram melhor no contexto da política económica e correspondentes cadeiras. J6 neto é a mesma a explicação para o tratamento dado aos restantes dois temas, moeda e ciclos. Quanto a estes, se constituíram um capitulo “rico” dentro da Ciência económica, debatem-se hoje com a menor relevância prática, e com a sua dispersão pelos estudos de historia, de crescimento, ou de econometria (pois suscitam aspectos metodológicos importantes); é o que procuramos explicar na oportunidade devida, aos nossos alunos. Mas, a moeda ? Ar sim, sentimos a critica a atingir uma deficiência dos nossos conhecimentos, e aceitamos que haverá que mudar – apenas não estando claro o sentido dessa mudança. Pois o que interessaria, mais do que descrições institucionais ou de pendor historicista(já demos, vários anos e em outro programa de Economia II, longas aulas acerca da evolução histórica da moeda e sobre os sistemas monetários e bancários), aquilo que mais interessaria era a modificação dos stocks monetários e para-monetários, quer por variação global, quer por substituição entre componentes. Essas modificações corresponderiam aos comportamentos dos vários agentes económicos quando poupam, por exemplo, ou ao realizarem operações de gasto, interno e no exterior. E a perspectiva em que seriam focadas teria de ser a das consequências sobre o nível de atividade, sobre os preços, e ainda sobre outras macro-variáveis fundamentais. (…)