A Nova Geografia / Paul Claval

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Descrição

INTRODUÇÃO

A geografia é praticada desde a Antiguidade: ela pode ser considerada, tal como a história ou a etnologia, herdeira da curiosidade de Heródoto. A época helenística assiste aos seus primeiros progressos. As grandes descobertas e os progressos da cartografia estimulam o seu desenvolvimento do século XVI ao século XVII. No princípio do século XIX, Humbolt e Ritter fixam os seus fundamentos e tornam-na uma ciência moderna. O ensino dá-lhe bastante relevo. A geografia é, portanto, uma disciplina venerável, familiar a toda a gente desde a infância. Então, porquê falar de uma nova geografia? Esta velha disciplina sofreu, sobretudo de há uma década para cá, uma transformação considerável, quase totalmente desconhecida, fora de um estreito círculo de iniciados. Desde o fim do século XIX, os geógrafos estudam as relações entre o homem e o meio natural. Praticam a ecologia, se bem que o termo, já conhecido, seja apenas usado por uma minoria. De um local a outro, as relações entre o meio e os seres vivos variam imenso, e os grupos humanos autue , pela ordenação do território, a diversidade natural. A geografia é muito sensível a estas diferenças. Apesar das regularidades do relevo, do clima e da civilização, cada região tem a sua própria originalidade, cada porção da Terra aparece corno um objecto único. A aproximação científica é incapaz de apreender a infinita complexidade do real. Apenas a arte o pode conseguir. A geografia regional que nasce com Vidal de La Blache e se desenvolve com os seus discípulos é, ao mesmo tempo, uma disciplina científica e uma forma de humanismo: os que a praticam propõem uma meditação sobre a acção humana, os seus limites e os seus êxitos. A geografia regional, assim estabelecida, é sensível aos temas do meio ambiente, da conservação, da implantação e do equilíbrio entre os homens e o meio; no entanto, não consegue responder às dúvidas do mundo actual. É preciso ordenar o espaço, compreender a proliferação das grandes cidades, das acumulações industriais, das metrópoles ou das megalópoles. Aqui é preciso lutar contra o subdesenvolvimento, ali contra o hiperdesenvolvirnento onde a multiplicação dos homens e das actividades provoca perigosas poluições. As paisagens que outrora faziam o encanto dos campos e que representam estão ameaçados. A geografia praticada desde o inicio do século não responde a nenhum destes problemas. Os que se interessem pelos quadros estreitos do mundo tradicional, pelos ritmos lentos das sociedades às quais custa suportar o afastamento e a ingratidão do meio, devem-lhe muito — a história francesa foi por ela inspirada, em alguns dos seus melhores trabalhos, desde Lucien Febvre até Braudel. A geografia clássica permite descrever e compreender o meio rural, as realidades regionais ou das antigas províncias. A indústria, a cidade, o
turismo, as migrações populacionais, os ritmos trevidantes da civilização avançada, escapam-lhe. As tentativas que de há uma geração para cá se multiplicaram, para alargar o campo da geografia do princípio do século, não bastaram para corrigir essas limitações. Era preciso retomar tudo desde o princípio, pôr em causa os seus postulados implícitos, propor uma nova construção.
A transformação necessária está já muito avançada. A renovação foi obra de geógrafos, mas também, e ao mesmo nível, de sociólogos, de economistas, de etnólogos ou urbanistas. Os historiadores
participaram no movimento, mas a sua contribuição é menos essencial do que durante o período anterior. (…)

 

 

Detalhes do produto

Título Original: La nouvelle geographie
Idioma: Português

Tradução: Filipe Machado

Autor: Paul Claval

Editora: Almedina

Ano: 1982

Descrição Física: 158 [5] p. ; 19 cm

Colecção: Almedina