A Mulher, Chave do Céu ou Porta do Inferno? / Tomás da Fonseca

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Descrição

NOTA PREAMBULAR

O original do livro que vai aparecer à luz do dia, foi insistentemente procurado por agentes policiais que, durante anos, se afirmaram, com incansável zelo, firmes esteios da Igreja Católica.
Eles a revolver a papelada e eu a dizer-lhes sempre que as obras que procuravam nem sequer as tinha ainda redigido.
— Por enquanto estão aqui, garantia-lhes eu, pondo o indicador na testa.
Tudo em vão. À caça aos manuscritos continuou, aqui, ali, além, até que ultimamente os deixaram em paz.
Uf!
Bem instantes devem ter sido as ordens emanadas da Cúria Patriarcal para tão insistente vigilância e obstinada inquirição.
O que terá julgado a referida Cúria quanto à matéria constante desse original? Que o autor atacaria dogmas ou preceitos fundamentais da Igreja? Que descreveria cenas abomináveis, responsabilizando por elas tanto o alto como o baixo clero?
Efectivamente, o livro não deve agradar ao clero, devido á documentação que encerra, apesar de recolhida, quase toda, em arquivos de instituições católicas ou autores adstritos às mesmas.
Ora, dessa documentação uma coisa ressalta logo à vista: que tendo sido a mulher tão vilipendiada desde o início do cristianismo, como aparece ela agora tão reclamada, e as suas virtudes tão largamente apregoadas?
Pois não é ela em nossos dias a coluna e trave mestra que sustém ainda as Instituições religiosas, tão abaladas em seus fundamentos que por mais escoras e cimento que lhes deitem, já não é possível corrigir as fendas que apresenta, precursoras de ruina iminente?
O alto clero, pois, teve o pressentimento duma nova refrega, de que poderia não voltar satisfeito. E daí o seu empenho em não querer que o autor depusesse, reduzindo-lhe a cinzas o referido manuscrito, ou antes, manuscritos, por haver ordem para caçar mais dois.
E já que tal não conseguiu, em suas mãos venho depor este vasto e fiel documentário, que para uns servirá de galhofa ou simples passatempo, mas que a outros obrigará a reflectir e tirar deduções.
Nem outro foi o pensamento do autor, quando teve que defrontar-se com um dos mais categorizados membros do episcopado português e seu clero.
Assim o quiseram, assim o tenham.
Fiat voluntas sua.

Detalhes do produto

Idioma: Português

Ano: 1960

Nº Edição:

Descrição Física: 244 p. ; 20 cm